Bio Morais
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A 'pílula do amor', ou simplesmente 'bala', como é conhecida na noite paulistana, migrou definitivamente do mundinho clubber, das pessoas com cabelo verde e roupas ultra exóticas, e se aliou a adolescentes de classe média alienando-os a um eterno sábado. Variada em pílulas de diversas cores, desenhos e formatos, a bala passa facilmente por um inofensivo comprimido para dor de cabeça, podendo ser facilmente transportada em uma nécessaire. Não tem cheiro forte como a maconha e nem exige o instigante ritual de preparo antes de ser consumido, como o complexo “padê” *, por isso é bem mais discreta e fácil de ser escondida da polícia. Para glória dos adeptos, “na correria” pode ser facilmente engolida e “já era”, “só alegria”.
São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro são os seus principais endereços. Por passear em bolsos de grifes com os mauricinhos, há rumores de que o Êxtase não alimenta o crime organizado, o tráfico do morro. O que não é verdade, seu consumo é cada vez mais abrangente, o Êxtase hoje é considerado a porta de entrada do obscuro e finito mundo das drogas, posto que antes pertencia a maconha.
Com o falso marketing de inofensivo, de que não causa dependência, entre outros mitos cômodos, o Êxtase vem driblando os contras, flertando com as melhores gatas das raves, “beijado horrores” nas baladas e se divertindo com historinhas gloriosas em coletivos “Happy Mondays”**. Um fenômeno curioso é que, enquanto os adeptos da bala estão “fritando” (sob o efeito da droga), suas massas cefálicas estão sendo gradativamente danificadas de modo irreversível, mas esse – definitivamente - não é um fator considerado pela maioria dos usuários.
*padê: cocaina
**Happy Mondays: segunda-feiras felizes, em aluzão ao fenômeno de prolongamento do efeito da droga

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